Informações sobre o Torcicolo Muscular Congénito

O que é?


O Torcicolo Muscular Congénito é uma deformidade muscular que surge ao nível do pescoço, no momento do nascimento ou pouco depois, e que se caracteriza pela inclinação do pescoço para um lado e pela rotação da cabeça para o lado oposto. Deve-se ao encurtamento do músculo esternocleidomastóideo (um músculo que se dirige do osso atrás da orelha e atravessa o pescoço na diagonal).
É a forma mais comum de torcicolo na infância, ocorrendo em até 2% dos bebés, sendo mais comum à direita.


Quais as suas causas?


Ainda não estão totalmente esclarecidas, sendo provavelmente devido a vários fatores intra e extra-uterinos.


Como e quando se apresenta?


A tendência do pescoço a inclinar preferencialmente para um dos lados aparece tipicamente entre a 2ª e a 4ª semanas de vida.
O bebé apresenta-se com a cabeça inclinada para o lado afetado pelo torcicolo e o queixo rodado para o lado oposto.
Pode ser apenas uma preferência, uma atitude postural, ou o bebé pode não conseguir rodar a cabeça para esse lado, ou conseguir, mas de modo incompleto. Menos frequentemente, pode ser palpável uma massa (“papinho”) no pescoço do bebé, que tende a desaparecer entre os 2 e os 8 meses de idade.


Quais os outros achados que podem surgir?


O torcicolo muscular congénito pode associar-se a outras alterações se não for corrigido. Destacam-se a assimetria craniofacial, em que a cara do bebé não é simétrica podendo apresentar um olho ligeiramente mais fechado e uma bochecha menos desenvolvida, e a plagiocefalia, uma alteração no formato dos ossos da cabeça, em que se observa um achatamento na zona de apoio preferencial.


Como se diagnostica?


Para o diagnóstico é, na maioria dos casos, apenas necessária uma história clínica e um exame físico. Pode, em casos selecionados, ser necessária uma ecografia ao pescoço, ou eventualmente, outros exames complementares de diagnóstico, que poderão auxiliar na confirmação da origem muscular, ou na exclusão de outras causas para o torcicolo.


Como se trata?


Na maioria dos casos, o tratamento mais indicado é conservador, consistindo num programa de reabilitação, com intervenção de fisioterapia ou terapia ocupacional, visando nomeadamente melhorar a postura, o alinhamento cervical e do tronco, a amplitude do movimento do pescoço e a estimulação global do desenvolvimento.
O envolvimento dos pais/cuidadores no programa de reabilitação é fundamental para o seu sucesso.
Um dos pilares importantes do tratamento é o cumprimento dos cuidados a ter em casa, particularmente dos corretos posicionamentos e dos exercícios ensinados pelo médico e terapeuta da sua Equipa de Reabilitação.
Muito raramente, e apenas em casos excecionais, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica.


Qual o prognóstico?


Geralmente é bom: mais de 90% dos casos submetidos a programa de reabilitação tem resultados bons a excelentes, se o tratamento for iniciado no 1º ano de vida.


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